segunda-feira, 12 de maio de 2014

Quem eu sou

Quando pequena, subia no pé de manga que ficava no quintal da minha vó. Lembro que era muito difícil de me tirar lá.
Do alto da árvore eu observava o céu, os insetos ao meu redor, as crianças que corriam ao longe, a minha família dentro da casa, a minha vó preparando a comida, os vizinhos tendo a sua rotina. Mas o que mais me atraia era sentir o vento batendo em meu rosto. Era uma sensação de liberdade inexplicável, como se de lá alto nada de ruim pudesse me atingir. Eu era gigante e super poderosa lá de cima. Tinha tudo o que precisava até mangas saborosas caso sentisse fome.
Recordo-me que nesse período minha mãe me chamava muito de Cristina, até porque era uma forma de  me repreender, mas a Cristina que ela se referia, era tão livre e forte. Ao descer daquele pé de manga eu levava de uma certa forma aquele sentimento.
Tem momentos que ao fechar meus olhos ainda me sinto em cima daquela arvore... consigo até ouvir o som que o vento faz e senti-lo em meus cabelos.
Quando crescemos levamos com a gente muito da nossa infância. Trago dentro da memoria e coração muito da minha meninice e luto para preserva-la.

Aqui posto toda a delicadeza e formosura que a vida me permite conservar.


                                                       Henrique Athayde

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