Quando pequena, subia no pé de manga que ficava no quintal
da minha vó. Lembro que era muito difícil de me tirar lá.
Do alto da árvore eu observava o céu, os insetos ao meu
redor, as crianças que corriam ao longe, a minha família dentro da casa, a
minha vó preparando a comida, os vizinhos tendo a sua rotina. Mas o que mais me
atraia era sentir o vento batendo em meu rosto. Era uma sensação de liberdade
inexplicável, como se de lá alto nada de ruim pudesse me atingir. Eu era gigante
e super poderosa lá de cima. Tinha tudo o que precisava até mangas saborosas
caso sentisse fome.
Recordo-me que nesse período minha mãe me chamava muito de
Cristina, até porque era uma forma de me
repreender, mas a Cristina que ela se referia, era tão livre e forte. Ao descer
daquele pé de manga eu levava de uma certa forma aquele sentimento.
Tem momentos que ao fechar meus olhos ainda me sinto em cima
daquela arvore... consigo até ouvir o som que o vento faz e senti-lo em meus
cabelos.
Quando crescemos levamos com a gente muito da nossa
infância. Trago dentro da memoria e coração muito da minha meninice e luto para
preserva-la.
Aqui posto toda a delicadeza e formosura que a vida me
permite conservar.
Henrique Athayde

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