segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Morgana

Maliciosa, bastarda
     Sem nenhuma leveza no ser,
     Pele morena, corpo longo e maduro,
    E mesmo assim, bom de se ver.
Obreira do mal,
     O que pode deste mundo querer
     Cultiva mais que o ser, o ter
      E eu não te via assim como tal.
Rameira, vestida de rainha
    Com a morte sabe lidar,
    Com ferro e fogo, em sua rinha
Ganância disfarçada com a humildade
     Usando da inocência, crédula
     De alguém remetido por você
     Em um fosso escuro sem piedade
Amável, cortês
    Viúva negra
    Arquivou o amor
    No tempo passado, foi o que fez
Não se detém,
    Para atender as suas vontades,
    É capaz de ofertar, em rituais
    A vida de outras, em sacrifício
    Como lhe convém.
A vida ensina,
    O corpo padece
    O espírito cresce
    A verdade aparece


 Lucas Werneck