Entre os pés de cacau, a menina se entrega ao capoeirista.
Entre gingadas, o amor se concretiza.
O casamento não poderia se demorar caro pai nordestino. Sua
filha está prenha e emprenhada nos matos e plantações de Ilhéus.
Entre as águas de Iemanjá, mãe e protetora guardiã, surge o
choro do novo, do menino da menina.
Peito carregado de leite e sonhos, a jovem se despede do
capoeirista; “Vá meu amor. Te encontro na terra nova...”
Pai macho sim sinhô;
“aqui muiér sozinha com filho no colo e outro no bucho não pode ficar”.
Ao subir no pau de arara com seu pequeno guri, a cada km que o carro andava uma gota de
sangue a nordestina deixava. Entre cheiro de leite, leite condensado, e pneu
queimado... a menina amamentava.
“Se vá minha amada Bahia, se vá terra de Gabriela, se vá meu
nordeste.”
Ao pisar na terra prometida, um vazio no coração se torna um
vazio na barriga.


