terça-feira, 8 de dezembro de 2015

"Amada" amiga

Foi em um passado remoto, 
   Que um coração devoto e casto,
Urrou, sangrou,
   serviu de pasto a urubus 
    e ave de rapina.
Raiva, tristeza, desejo de morte...
   Lançando sobre mim chuva de escárnio,
   Como se fosse faca de corte.
A virtude e a razão, não são para ti porque és despudorada,
     Coração inconstante,
      Suspiras por ilícitos favores, ao
      Invés de rosto,
       vagina sórdida...
O troco por seus infames apetites;
     Das paixões envenenadas 
     Que adquiristes,
     Do espaço de outrem, que ocupastes...
Lamento por ti minha falsa amiga...
  Cortesã de vãos caprichos...
Hoje inerte nada sinto,
   seu veneno não me atinge
    nesse caso só pressinto.
O prazer sentido, 
    Zombeteiro espírito,
    Em sua peçonhenta aliança,
    És a melhor pessoa para estar onde estás
    Porque não há nenhum poder que mude a natureza...
    É dando que se recebe.

Cristina P

Dany WR

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Sangue de lama


Ó minha terra doce,
Mais doce que você só os seus rios,
sua culinária e povo.

Terra essa que a história não consegue esquecer.
Arte marcada como brasão no Brasil .

Agora vê toda a sua natural pureza
Engolida por lama e minério,
Mineral esse que já te deu nome.

Vale, repensar no que já foi doce...
- Uai óia! O trem vai engolindo tudo!

Nas veias gerais de Minas corre lama.
Lama essa suja e corrompida.
Te trocaram por ouro, Ouro Preto.

E cada segundo em que esse barro Barroso escorre,
Seu solo, já Aleijadinho, vai se perdendo.  

Cacique se manifeste com pedra!
Pedra sabão para lavar o meu chão
Sujo de tanta corrupção.

E se vier Chico, pede para guardar seu triângulo,
Que hoje não terá Folia no Club da Esquina.
As rosas de Guimarães murcharam,
E Mariana não Beija, chora.

Agora de doce só seu leite,
Geleia marrom.
- Estamos sem pão e queijo!

A minha vaca tá atolada.
Aqui virou um grande angu.
A estrada não é mais Real...
O Circuito virou um grande lamaçal

Ó Minas, quem te conheceu não esquece jamais!
Ó minha Minas Gerais.

Cristina P.



terça-feira, 13 de outubro de 2015

Vadinho

O vento já soprava o seu nome ao pé do meu ouvido;
- Vadinho! - Ele dizia.
Ao me encontrar com você, minha pele entrou em choque
Preciso do seu amor!
Homem de olhar profundo e traços encantadores
Estou condenada a te querer
Mexeu com minha mente, acabou com a minha sensatez
Tomou o meu corpo somente com um olhar e sorriso maroto
Não demorou a roubar meu coração
Hálito ardido de paixão, mão boba de menino,
Safadeza de homem vivido.
Me ensinou a vadiar na forma do Vadinho.
Homem nenhum antes ou depois de você poderia me entreter
O meu pecado era você que me chamava de peladinha
E assim eu me sentia toda sua, inteirinha.
Enquanto eu cozinhava você me consumia.
Se lambuzava com o meu tempero e me tragava.
E em cada copo de bar meu ciúme aumentava
Como poderia beijar outra que não fosse eu,
Sua Flor!
De dia me roubava a alma,
De noite me sussurrava cantigas antigas de cabaret.
Depois de Vadinho tanto vadiar,
Bom filho de Exu, na mesa de um bar mais uma confusão foi me arrumar.
Em mais um dos seus joguetes, sobre sua cova lhe deixei um ramalhete,
E viúva me fez tornar com muitos a me cortejar.
- “Me perguntaram o que oferecer a um hóspede de requinte,
 Num caso desses aconselho servir um guisado, com gosto de culpa e pecado.
Mas se o hóspede quer caça ainda mais fina, porque então não lhe servir um prato ainda mais sofrido?“
Viúva me encontrava, bonita e moça...
Cheia de desejo e sede, vestida com uma escura, sombrosa e dolorosa viuvez.
Com o seu remédio milagroso e sua poesia de bula, Dr. Teodoro, fez meus sintomas se esconderem, porém, a cura era só você, meu Vadinho.
Agora casada novamente, com toda pompa da nossa sociedade,
Acreditei que a bondade de meu marido novo me saciaria o desejo reprimido.
E vestida de branco com colônia de lavanda me preparei para vadiar com outro...
Teodoro sabia de quase tudo, era um homem da ciência,
Só não sabia vadiar na forma de Vadinho.
E com muita educação, respeito e organização, vivíamos felizes
E no meu caso, muito faminta.
De dia eu amava meu marido Teodoro, te adoro
E de noite o meu corpo ardia em febre, chamando por Vadinho.
E de tanto chamar, meu anjo negro apareceu
Sem culpa e desnudo me atentava.
 E no pequeno vazio do meu leito, enquanto Teodoro trabalhava, Vadinho me bolinava.  
E depois de muitas jogadas, me entrego ao meu querubim safado.
E por desespero de tanta tentação, peço ajuda aos meus guardiões.
Mas sem Vadinho não posso ficar!
E na cama, nos braços dos meus dois maridos, eu pude me acalentar.
Ah Vadinho, você não tem decência e nunca terá!
Não tem vergonha e nunca terá!
E eu por você não tenho juízo!

Cristina P


Dany WR

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Pequeno nirvana


Amanheceu...
Ouço o chamado frenético,
Do sabiá a gorjear...
Em sua música, parece dizer, senhorita,
Senhorita, senhorita.
Sua felicidade contagiante,
Que de tanta,
Pode até explodir
O peito; aparentemente frágil.

Seu canto se despede da noite, e chama o dia.
Senhorita... senhorita... senhorita...
Vejo o ipê amarelo, com suas folhas
Esplendorosamente verde
Suas flores amarelas
Vibrando de tanta energia
Ao sabor da brisa leve da manhã.
Vejo então, que diante de tudo
Isso, tenho a chance de fazer o meu melhor,
Valorizar tudo da vida... nada é em vão...
O que traz dor é para me fazer melhorar...
E o que me traz calma e mansidão é para me
Fazer vencer... isso é a felicidade...
Senhorita...senhorita...senhorita...

Cristina P.

Iris Drawings

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Planta

Sigo hoje, a construir do zero, 
Igual a uma cidade, estado ou país
Devastado pela ação de uma bomba.

Desordem, destroços, entulhos....
Que se sobrepõe,
sufoca e aniquila tudo ao redor

Com muito cuidado e zelo,
tiro algo  daqui, coloco ali,  
procuro da vida o seu melhor ângulo...

Terra seca...
Chão batido...
Rachado em sua superfície...

Flor de vaso que sobreviveu a devastação...
Curvada, quase desfalecida, mas acreditando
Na sua energia vital...

Como a planta  que precisa de  água, 
sol, luz e calor,
Eu te preciso...
Que bom que você chegou!
Tara O`Brien





terça-feira, 28 de julho de 2015

Tempo passado


O tempo é implacável;
As vezes generoso.
Aplaca a dor como um bálsamo.
Apaga os caminhos traçados,
Adormece as paixões,
Chamando a razão.
Não julgo tempo perdido... o amor vivido,
Porém não tenho mais o tempo,
Aquele tempo no qual, eu e você,
Éramos sinônimo de amor,
União e cumplicidade.
Já dei tempo, ao tempo para que ele,
Fizesse adormecer, um sentimento
Que me rasga a alma,
Arde o peito, queima as entranhas,
E incendeia, a minha alma...
E desse tempo, só faço esperar o momento
Certo da libertação do ser, leve, e livre,
Que fique no tempo certo;
No tempo passado o amor,
Que tive, e que só bendigo,
Pois é sempre mais feliz
Aquele que mais amou...
Lucas Werneck