segunda-feira, 31 de julho de 2017

Ainda sensível

Leoa, brava feito o cão
De dia é líder, com muitos aos seus pés
A noite amante fatal
Linda como o mar
A verdadeira mulher fatal
Alguém segura ela!
Sorriso encantador
Olhar de bruxa, sedutor
Morde e assopra o tempo todo
E no fundo tenta esconder um segredo
Que ali naquele coração arisco
Em uma gaveta bem guardado
No fundinho, dentro de uma caixinha
Existe ainda a sensibilidade de uma moça inocente
Algo que o mundo cão não destruiu.
E no acalentar da noite com o rosto já limpo
A face da menina ressurge
Ela é doce e encantadora
Antes de dormir cochicha  após um suspiro
Ainda bem que ainda estou aqui
E nem tudo secou... 



Lucas Werneck 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Por que mulheres?

Por que muitas de nós ainda se atropela ou se permite ser atropelada?
Por que ainda temos salários menores que os nossos companheiros no mesmo cargo?
Por que ainda nos degladiamos por outro que não nos dá valor?
Por que ainda nos obrigamos a constituir uma família desigual?
Por que a nossa sexualidade é ofensiva e uma vergonha para sociedade?  
Por que temos que nos encaixar em um estereótipo de beleza ao ponto de nos mutilar?
Por que muitas de nossas irmãs sofrem diariamente com agressões físicas, morais e psicológicas?
Por que muitas de nós não tem a opção de fazer o que quer com o seu próprio corpo?
Por que temos que gostar de brincadeiras diariamente que nos diminua ou nos coloque no papel de objetos, ou pior, um pedaço de carne ambulante sem valor?  
Por que o aborto é só feminino, sendo que o fruto pertence a dois?
Por que muitas de nós não podem ter o poder da fala?
Por que?
Por que a minha criação tem que ser diferente da dele se somos iguais?
Por que a história da minha tataravó, bisavó, avó, tias, primas, da minha própria são tão parecidas?
Por que o meu sexo é o que dita quais são os meu direitos e deveres?
Por que o meu género importa tanto ao outro?   
Por que tenho que vestir a roupa que você quer?
Por que o que faço na minha intimidade te ofende e agride?
Por que a minha fé é da sua conta?
Por que a minha independência machuca tanto a sua leitura sobre DEUS?
Por que?
Por que?
Essas são somente algumas das perguntas que eu mulher gostaria de ter como resposta.
A única certeza que tenho é que eu nem por um minuto, nem um segundo, gostaria de ter nascido em outro corpo, mesmo você não gostando disso.
Sou mulher, com orgulho!!!

Cristina P



Lucas Werneck

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Dom Casmurro

Dom vem de sua nobreza,
Casmurro vem por sua amargura.
Quando criança era Bentinho,
Desde sempre “valentinho.”

Nos olhos dela, ele se viu,
Primeiro amor é eterno.
Inocência de criança.
Muita esperança.

Os sonhos se entrelaçam,
Aventuras e encantos,
De um beijo nasce uma rosa,
Promessas feitas

Amizade perigosa.
Primeiras descobertas.
Alianças trocadas,
Palavras guardadas.

E na voz de uma fada,
A profecia da felicidade eterna.
E sobre  finas rendas casada,
E o tempo  lento se envereda.

Manhãs agradáveis marcadas,
Olhares estranhos os assediavam.
E na incerta valsa da vida,
A insegurança nos olhos dele os aguarda.

E nos jantares de dúbios amigos,
A língua se enrolava.
Os sons já não eram mais ouvidos,
Somente sentidos.

E o sangue do quase filho, escorria...
Olhares maliciosos e inquietos.
Chora menina, chora!
E  os maquiavélicos a proferiam, adúltera.

E no camarote Bentinho assistia,
E sem conhecer a real trama, 
Permitiu  que o ciúme o consumisse,
E a desconfiança o corroesse.

E com a verdade amputada,
A inveja não enxergava,
Permitiu que  fluido particular,
Fizesse a mulher de outro cobiçar

O tempo da razão acabara.
Amigo e amiga desleais,
Indivíduo morre afogado,
Se afundando, no orgulho, foi enrolado...

Homem quieto e introvertido,
No enterro de quem já se foi,
Desdenhou sobre a desolação de Capitu,  
E não percebeu  que o defunto foste tu.

Em suas assombrosas cismas,
Sob o próprio reflexo,
A imagem de  outro encontrava,
E no vazio mergulhava.

O monstro saiu das cinzas de Bentinho.
Que desonra o fruto do seu amor,
E o peculiar veneno, que ingeria,
Levando-o a cega e  suprema fúria.

Na loucura entre o real e a fantasia,
Através das meias palavras ditas,
Sem defesa, Capitu se submetia, 
A descrença de Bentinho doentia.

Após longa oração,
A separação Capitu concedia.
E nos fragmentos não contaminados,
O descuido de Bento o torna amargurado.

No abismo criado entre eles,
O vestígio da memória se transforma,
Em alucinação que bate a porta,
Que nem doido suporta. 

Entre as coxas das vis cortesãs,
O agora Casmurro, deleitava,
E a solidão encobria,  
O que o silêncio da noite feria.
  
No fundo de sua alma não podia compreender,
O motivo pelo qual,  nenhuma dessas caprichosas,
O fez esquecer a amada do coração.
Responda essa, valentão!

Deve ser porque nenhuma tinha olhos de ressaca,
Nem de cigana obliqua e dissimulada, 

Somente o primeiro amor para responder,
O que o coração quer esconder.

Cristina P.


 Lucas Werneck



segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Morgana

Maliciosa, bastarda
     Sem nenhuma leveza no ser,
     Pele morena, corpo longo e maduro,
    E mesmo assim, bom de se ver.
Obreira do mal,
     O que pode deste mundo querer
     Cultiva mais que o ser, o ter
      E eu não te via assim como tal.
Rameira, vestida de rainha
    Com a morte sabe lidar,
    Com ferro e fogo, em sua rinha
Ganância disfarçada com a humildade
     Usando da inocência, crédula
     De alguém remetido por você
     Em um fosso escuro sem piedade
Amável, cortês
    Viúva negra
    Arquivou o amor
    No tempo passado, foi o que fez
Não se detém,
    Para atender as suas vontades,
    É capaz de ofertar, em rituais
    A vida de outras, em sacrifício
    Como lhe convém.
A vida ensina,
    O corpo padece
    O espírito cresce
    A verdade aparece


 Lucas Werneck

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Senhora

Sei que sonhos e castelos, perdi, porque de quem eu era, e era meu
   Vestiu minha alma de dor e saudade e desapareceu,
   Guiado pela mão, de amor incerto,
   Distante, mesmo estando perto.

Eu sei minha senhora, que por um tempo
   Acreditei no seu afeto, amor de ex,
   Quando deixa de ser amor vira amizade,
   Sem o seu rebento,  me contento.

Nunca pensei senhora em perder,
   O seu carinho, afeto e amizade .

Há quem dissesse que amor de mãe me tinhas,
   Nessa vida, existem os dois lados,
   O certo e errado.
   Veneno dosado em gotinhas.

Olho  perplexa as minhas mãos vazias e não creio!
   Sofri, chorei, esperei de você,
   Um  gesto que não veio.

Razões senhora, todos temos!
   E acaso em seu coração não possa me levar
   Eu ao seu contrário,  não te deixarei de lembrar.

A traição,  sofrida já não me importa,
   Se eu tenho novos sonhos, o que me conforta.
   Errei quando assumi fazer aquilo que não fiz;
   Para não ficar devendo, sou uma boa atriz.

Iris Drawings