Casmurro vem por sua amargura.
Quando criança era Bentinho,
Desde sempre “valentinho.”
Nos olhos dela, ele se viu,
Primeiro amor é eterno.
Inocência de criança.
Muita esperança.
Os sonhos se entrelaçam,
Aventuras e encantos,
De um beijo nasce uma rosa,
Promessas feitas
Amizade perigosa.
Alianças trocadas,
Palavras guardadas.
E na voz de uma fada,
A profecia da felicidade eterna.
E sobre finas rendas
casada,
E o tempo lento se
envereda.
Manhãs agradáveis marcadas,
Olhares estranhos os assediavam.
E na incerta valsa da vida,
A insegurança nos olhos dele os aguarda.
E nos jantares de dúbios amigos,
A língua se enrolava.
Os sons já não eram mais ouvidos,
Somente sentidos.
E o sangue do quase filho, escorria...
Olhares maliciosos e inquietos.
Chora menina, chora!
E os maquiavélicos a proferiam, adúltera.
E no camarote Bentinho assistia,
E sem conhecer a real trama,
Permitiu que o ciúme
o consumisse,
E a desconfiança o corroesse.
E com a verdade amputada,
A inveja não enxergava,
Permitiu que fluido
particular,
Fizesse a mulher de outro cobiçar
O tempo da razão acabara.
Amigo e amiga desleais,
Indivíduo morre afogado,
Se afundando, no orgulho, foi enrolado...
Homem quieto e introvertido,
No enterro de quem já se foi,
Desdenhou sobre a desolação de Capitu,
E não percebeu que o defunto
foste tu.
Em suas assombrosas cismas,
Sob o próprio reflexo,
A imagem de outro
encontrava,
E no vazio mergulhava.
O monstro saiu das cinzas de Bentinho.
Que desonra o fruto do seu amor,
E o peculiar veneno, que ingeria,
Levando-o a cega e suprema fúria.
Levando-o a cega e suprema fúria.
Na loucura entre o real e a fantasia,
Através das meias palavras ditas,
Sem defesa, Capitu se submetia,
A descrença de Bentinho doentia.
Após longa oração,
A separação Capitu concedia.
E nos fragmentos não contaminados,
O descuido de Bento o torna amargurado.
No abismo criado entre eles,
O vestígio da memória se transforma,
Em alucinação que bate a porta,
Que nem doido suporta.
Entre as coxas das vis cortesãs,
O agora Casmurro, deleitava,
E a solidão encobria,
O que o silêncio da noite feria.
No fundo de sua alma não podia compreender,
O motivo pelo qual, nenhuma dessas caprichosas,
O fez esquecer a amada do coração.
Responda essa, valentão!
Deve ser porque nenhuma tinha olhos de ressaca,
Nem de cigana obliqua e dissimulada,
Somente o primeiro amor para responder,
O que o coração quer esconder.
O que o coração quer esconder.
Cristina P.
Lucas Werneck

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