O vento já soprava o seu nome ao pé do meu ouvido;
- Vadinho! - Ele dizia.
Ao me encontrar com você, minha pele entrou em choque
Preciso do seu amor!
Homem de olhar profundo e traços encantadores
Estou condenada a te querer
Mexeu com minha mente, acabou com a minha sensatez
Tomou o meu corpo somente com um olhar e sorriso maroto
Não demorou a roubar meu coração
Hálito ardido de paixão, mão boba de menino,
Safadeza de homem vivido.
Me ensinou a vadiar na forma do Vadinho.
Homem nenhum antes ou depois de você poderia me entreter
O meu pecado era você que me chamava de peladinha
E assim eu me sentia toda sua, inteirinha.
Enquanto eu cozinhava você me consumia.
Se lambuzava com o meu tempero e me tragava.
E em cada copo de bar meu ciúme aumentava
Como poderia beijar outra que não fosse eu,
Sua Flor!
De dia me roubava a alma,
De noite me sussurrava cantigas antigas de cabaret.
Depois de Vadinho tanto vadiar,
Bom filho de Exu, na mesa de um bar mais uma confusão foi me
arrumar.
Em mais um dos seus joguetes, sobre sua cova lhe deixei um
ramalhete,
E viúva me fez tornar com muitos a me cortejar.
- “Me perguntaram o que oferecer a um hóspede de
requinte,
Num caso desses
aconselho servir um guisado, com gosto de culpa e pecado.
Mas se o hóspede quer caça ainda mais fina, porque então
não lhe servir um prato ainda mais sofrido?“
Viúva me encontrava, bonita e moça...
Cheia de desejo e sede, vestida com uma escura, sombrosa
e dolorosa viuvez.
Com o seu remédio milagroso e sua poesia de bula, Dr.
Teodoro, fez meus sintomas se esconderem, porém, a cura era só você, meu
Vadinho.
Agora casada novamente, com toda pompa da nossa
sociedade,
Acreditei que a bondade de meu marido novo me saciaria o
desejo reprimido.
E vestida de branco com colônia de lavanda me preparei
para vadiar com outro...
Teodoro sabia de quase tudo, era um homem da ciência,
Só não sabia vadiar na forma de Vadinho.
E com muita educação, respeito e organização, vivíamos
felizes
E no meu caso, muito faminta.
De dia eu amava meu marido Teodoro, te adoro
E de noite o meu corpo ardia em febre, chamando por
Vadinho.
E de tanto chamar, meu anjo negro apareceu
Sem culpa e desnudo me atentava.
E no pequeno vazio
do meu leito, enquanto Teodoro trabalhava, Vadinho me bolinava.
E depois de muitas jogadas, me entrego ao meu querubim
safado.
E por desespero de tanta tentação, peço ajuda aos meus guardiões.
Mas sem Vadinho não posso ficar!
E na cama, nos braços dos meus dois maridos, eu pude me
acalentar.
Ah Vadinho, você não tem decência e nunca terá!
Não tem vergonha e nunca terá!
E eu por você não tenho juízo!
Cristina P
Cristina P
Dany WR

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