terça-feira, 2 de agosto de 2016

Senhora

Sei que sonhos e castelos, perdi, porque de quem eu era, e era meu
   Vestiu minha alma de dor e saudade e desapareceu,
   Guiado pela mão, de amor incerto,
   Distante, mesmo estando perto.

Eu sei minha senhora, que por um tempo
   Acreditei no seu afeto, amor de ex,
   Quando deixa de ser amor vira amizade,
   Sem o seu rebento,  me contento.

Nunca pensei senhora em perder,
   O seu carinho, afeto e amizade .

Há quem dissesse que amor de mãe me tinhas,
   Nessa vida, existem os dois lados,
   O certo e errado.
   Veneno dosado em gotinhas.

Olho  perplexa as minhas mãos vazias e não creio!
   Sofri, chorei, esperei de você,
   Um  gesto que não veio.

Razões senhora, todos temos!
   E acaso em seu coração não possa me levar
   Eu ao seu contrário,  não te deixarei de lembrar.

A traição,  sofrida já não me importa,
   Se eu tenho novos sonhos, o que me conforta.
   Errei quando assumi fazer aquilo que não fiz;
   Para não ficar devendo, sou uma boa atriz.

Iris Drawings



terça-feira, 7 de junho de 2016

O lado do amor

Um lado meu sempre vai te amar
Mesmo que não seja um amor carnal
Mesmo que não seja sobre o que você é ou foi
Mesmo que contrarie a regra do absurdo
Mesmo que fuja dos princípios básicos
Mesmo que não seja coerente e consciente

Um lado meu sempre vai te amar
Mesmo que seja algo inocente que resiste em mim
Mesmo que seja infantil e inconsequente
Mesmo que seja espiritual 

Um lado meu sempre vai te amar
Apesar da mágoa do que foi e não foi
Mesmo com as angústia do ter sido e não pertencido
Mesmo com sabores e desamores

Um lado meu sempre vai te amar
Pelo pertencido e perdido
Pelo dito e não dito
Pela distância percebida e consentida
E principalmente pelo o que é sentido

Cristina P
Iris Drawing

terça-feira, 24 de maio de 2016

A dor do João de Barro

Ando seguindo trilhas
Antes não pensadas,
Caminhando por milhas
Não idealizadas.
De volta ao ninho fraterno
Fugindo do inferno
Outrora ninho de amor
Pássaro ferido
Sentindo a dor do João de Barro
Que teve a porta de entrada
Fechada com o barro
Trazido no bico do seu parceiro
Privando o do aconchego do ninho  em desalinho
A vida é como ondas do mar, que vai e que vem
De um tempo envolvente,
A varrer dela os grãos de areia...


Cristina P.

Henrique Athayde

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Gatinha manhosa

Passam-se os tempos...
Evolução, ciência, consciência.
Muda se o personagem,
a alternância dos fatos,
a cadência do ritmo, a paciência.
As duas faces do ser humano...
macho e fêmea,
forte e frágil,
razão, intuição.
O que não muda...
a forma de ver as coisas
que nos cercam,
a soma de um mais um...
Ilude se o homem que pensa,
que fragilidade, sensibilidade, afabilidade...
Não possa fazer com que
uma gatinha doce e macia
ruja como uma leoa brava...
Por isso não ponha em prova
os sentimentos de uma Mulher, em fúria...


Cristina P.

Floyd Grey





quinta-feira, 7 de abril de 2016

O dia D

Homem de olhar sedutor e boca grossa
- Me diga tudo que quero ouvir!
E com palavras mágicas faz o meu coração se desarmar,
Com um beijo faz o meu corpo todo estremecer. 
No entrelaçar de nossas línguas os meus pés vão saindo do chão...
E ao cair delicado de nossas roupas a memória e consciência retornam...
- Como esquecer tudo o que você me fez passar?
O coração novamente se arma.
Esse não é ele! Entenda que ele já se foi!
E ao olhar profundamente em seus olhos não o reconhece 
- Eu não te amo!
Com a expressão de dúvida ele insiste... e ela responde;
- Eu não te amo! Amo outro!
Sem acreditar naquelas palavras ele se mostra nu... 
- Eu te quero!
E diante do homem despido, cheio de desejo... 
Agora mostra a sua alma nua!
Anestesiado pela situação as palavras somem. 
- Não entendo, isso nunca falhou.
E sem conseguir despir o coração e a alma o homem nu é abandonado. 
- Você se acha hein?!
- Não, eu sou! E tenho hoje consciência disso.
E sem olhar para trás ela deixa o homem nu de coração vestido para trás.

Cristina P.


Loui Jover

terça-feira, 1 de março de 2016

Se buscando

Ando pela vida
Sem rumo certo,
Procurando me encontrar.
Em cada curva, busco um novo olhar,
Insisto!
Visto de novo, para buscar o novo...
Porém o novo, não vem.
Se vem, não o vejo.
Olho e não enxergo o atual... tudo igual!
Pequenas atitudes me remetem
A um passado sofrido...
Quero gritar, urgir...
 Proferir injúrias e desacatos.
Deixo a alegria de lado.
Busco na tristeza as emoções que cortam...
Mesmo quando amo,
Quero transferir ao ser amado,
A punição pelo tormento por outro, a mim conferido.
Um ser em busca de si...


Cristina P


Lucas Werneck

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Bocageando Chico

Meu caro amigo,
Me responda, por favor;
O que leva uma pessoa,
Que  horror!
A se aliar uma terceira;
Vassourinha.
Entre seus amigos toda faceira,
Rosinha;
Meu caro amigo te respondo sem favor.
Que há pessoas nesta vida;
Que são descaradas e sem pudor.
Muita careta para disfarçar a situação.
Mas juro sem rojão,
Meu caro amigo;
Que há sapos para engolir,
Muitos dissabores no por vir,
Muita pirueta para ganhar o pão.
Um dia a fruta, outros a puta.
Palhaço de perdida ilusão.
Não é discrição é  vergonha.
Parceiros de alcova,
Sua e de quem mais quiser;
E aqui a parte, com arte,
Até quando “deus” quiser...

Cristina P



Dany WR