segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Pé de cacau

Entre os pés de cacau, a menina se entrega ao capoeirista.
Entre gingadas, o amor se concretiza.
O casamento não poderia se demorar caro pai nordestino. Sua filha está prenha e emprenhada nos matos e plantações de Ilhéus.
Entre as águas de Iemanjá, mãe e protetora guardiã, surge o choro do novo, do menino da menina.
Peito carregado de leite e sonhos, a jovem se despede do capoeirista; “Vá meu amor. Te encontro na terra nova...”
Pai macho sim sinhô;  “aqui muiér sozinha com filho no colo e outro no bucho não pode ficar”.
Ao subir no pau de arara com seu pequeno guri,  a cada km que o carro andava uma gota de sangue a nordestina deixava. Entre cheiro de leite, leite condensado, e pneu queimado... a menina amamentava.
“Se vá minha amada Bahia, se vá terra de Gabriela, se vá meu nordeste.”
Ao pisar na terra prometida, um vazio no coração se torna um vazio na barriga.

Deixei pelo caminho todo o sangue da minha terra. E venho para esse canto plantar o meu açúcar sem cana. Mas nunca deixarei morrer os meu pés plantados de cacau nordestino.   

Tara O'Brien

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Bendito seja o momento, em que um anjo amigo, te concedeu como pai... guia... orientador... companheiro e amigo.
Meu anjo me guarda, me ensina a cumprir a minha sina....
José... Zé, Sr. José, Seu Zé, não importa como te denominar
É sempre você que me inspira, me guia, me intui e dá fé...
Mesmo quando  os reveses da vida,  parece não dar pé,  está   sempre comigo...
Percebo por certo a fusão, material e divinal...
Exemplo de honradez e  força interior...
Meu espírito de luz benfazejo... realiza todos meus desejos... de bem...
Só peço a Deus proteção... para  que eu não  desvie a  direção
Abra sempre meus caminhos... iluminando meu destino...
Esteja sempre em meu caminho, Zé.

Loui Jover

domingo, 3 de agosto de 2014

VAGNANDO

Até pouco tempo eu não o conhecia...
Via o como tantos outros... amigos.
Tão claro, estava sobre o que podia...
Mas, o que não se  sabia...
E nem de longe, suspeitar podia,
Era que essa pessoa tão esforçada.
Além de  tantos talentos  que nele eu via...
Mostrou-me um talento maior.
Que é, que será, ou que seria...
Responsabilidade, e comprometimento.
Bolhas nos pés não foi impedimento...
Na ânsia de cumprir o que se prometeu,
Andar quilômetros  no dia,

Que disse me que aqui estaria.

Loui Jover

domingo, 27 de julho de 2014

Fragmentos

Foi um turbilhão que passou em minha vida.
Devastando tudo...
Arrastando, atropelando, matando os mais preciosos sonhos...
Sonhos esses acalentados pela inexperiência, pela inocência...
Que me fez ser crédula...
Ser pacífica, quase inerte...
Aguardando da vida só os louros de uma conquista prévia...
Rasguei a alma, mutilando dessa forma o corpo, e a alma.
Que como uma fantasia velha...
Do carnaval que passou... juntando  as partes, busco a renovação.
Reconstruindo, passo a passo, parte a parte o meu ser…

(Loui Jover)

domingo, 20 de julho de 2014

Cobra

Criatura malévola... rastejante e asquerosa, de aparência formosa
Oportunista, sem escrúpulos, condenada
Beleza, dinheiro e bondade falsas, sua lábia é sua arma de sedução...
Reina entre os pobres mortais, incautos que se hipnotizam pelo seu jeito doce e  manso,
     Como um anjo mau, se fazendo  de amiga, o deus das trevas é  o seu guia… só  quem 
     te conhece bem…  sabe do  que és capaz...
A vida me mostrou antes que você possa imaginar, sua verdadeira face espirito putrefato
     Só peço à Deus proteção contra a sua maldade, que me defenda da sua influência, e 
     Me salve da sua ira, que Ele  me imunize do seu veneno.
     Que pena… quanto  amor… quanta dedicação… não  valorizados... que desperdício...
     Tudo poderia ser como te imaginei...  querida  fada madrinha... tão madrasta…
(Iris Drawings)

domingo, 13 de julho de 2014

Metamorfose

Ferida que fui, me fiz em pedaços...
Quebrando os laços, sem compassos...
Saudade  dor  intensa, que toma espaço..
Nesse ser agora tão escasso... escasso de mim,
Que perco espaço… em mim, que não sei porque
Me  permito ser muitas vezes você... tão perto e tão distante
Que insensível, aventuras  buscas  em outros braços os novos  abraços...
Torpes e obscenos, e eu... do amor que tive, ou tenho... saudades...
E das minhas entranhas pungente dor que me dilacera o ventre  que se abre...
Fecundo para expulsar  o eu anterior pueril e inocente, deixando  nascer da essência do que sou...

Mulher …

(Iris Drawings)

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Como um personagem de Almodóvar

Sou humana, tenho minhas limitações, mas também sou corajosa e enfrento da melhor forma que posso os obstáculos da vida.
Insisto no que acredito ser o certo,  claro que isso não proibi que eu me machuque ou quebre a cara.
Já apanhei um bocado da vida, porém nunca perdi a esperança.
Me mostro de uma forma, mas tenho dificuldade de expressar os meus sentimentos mais profundos.
Tenho desejos excêntricos, até porque com a minha personalidade não poderia ser diferente.
Também me cobro muito, sinto culpa por certas coisas, mas sempre ponho o meu coração como guia.
Já amei, exagerei, me desesperei, surtei, xinguei, lutei, gritei, falei, me impus, trabalhei, chorei, ri, lamentei, apreciei... E nunca  perdi, nem por um segundo,  o meu vermelho intenso Almodóvar, que é a minha capacidade de amar e crer.

Floyd Grey