quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O Vazio

O persegue...
na cama, no sofá da sala, na cozinha e no banheiro...
 a  televisão a única voz  a  ecoar nesse ambiente .
o  homem circula ,ora aqui ora ali ...
se  dividindo...
entre  o   computador ou seus brinquedos eletrônicos...
em sua mão o inseparável  refrigerante.

Seu  computador esta repleto...
De informações...
pobres de emoções...
Cheias de tédio!
Sensação de  vazio....
Frenéticas mensagens,  recebidas, enviadas ...
Encantos pueris ,encontros vazios!

Colo materno seco,
Sem calor, sem jeito...
distante em tempo e espaço...
Ausência sentida...
Carência reprimida...
Núcleo familiar repudiado, distorcido...

Solidão!
Andando pelas ruas, sem destino...
Encontros , desencontros...
pessoas desconhecidas...
Relações puramente materiais...
Vazias  !

Trabalho contínuo, sem medida , em horas livres...
Para tentar ludibriar...
a ausência gritante de tudo que não se compra...
O trabalhar sem essência, sem alma ,sem amor....
também se torna vazio...
Mente vazia!
Falta de horizontes,  perspectiva,
vontade de evoluir, respirar,  viver...

Não acreditar ...
Em si, no outro,
Repudiar o divino o expõe e atraí para si,
o que se quer ter distante.
Porta fechada....
Vudu por sentinela...
Guardião de suas mazelas,

Só o vento cantando  na janela...
Loui Jover

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Barquinho de papel

Quando deixo meu pensamento livre...
Imagino na imensidão do mar, um barquinho.
Pela distância, tão pequenino, bailando sobre as ondas
Indo embora talvez  para não mais voltar.
Voltar, muitas vezes eu pensei em voltar...
Para onde? Para que lugar? para o  meu amor?
Tudo mudou! O  que mudou? Nada mudou?
Sem respostas, a intensidade do silêncio se faz  maior.
Antevejo até esse barquinho,
Lá, onde o céu e mar se encontram,
Em  um demorado e  lindo beijo azul.
Tento compor esse grande amor...
No meio da tua ausência...
Fico imaginando alguma solução...
Para que esse orgulho,
Não destrua nossos sonhos...
Não nos cabe conhecer o porvir ,
Porém insistentemente volto a imaginar...
O barquinho voltando guiado por Iemanjá...

E de ti, apenas guardo o sorriso no retrato...

Loui Jover

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Se

Não fosse
A lágrima como
Valorizar o sorriso

Não fosse 
a dor, 
como sensibilizar o alívio

Não fosse
A noite,
Como valorizar o dia

Não fosse
A tua ausência,
Como desejar sua presença

Não fosse
O desamor,
Como querer o amor 

Não fosse
Suas faltas,
Como valorizar minhas qualidades

Porque o momento existe,
E pode fazer o todo de uma vida cabendo a cada um,
Sim ou se não... se aqui ou ali...

A vida é feita de escolhas... SE...

Henrique Athayde


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Inverno

O que será que dá?
Quando você vem, eu vou
Quando você vai, venho


Quando não te vejo, te procuro
Quando te encontro, finjo não te ver
Quando meu olhar encontra o teu, disfarço

Quando você chega, eu parto
Quando parto, te agito o ser
Quando me amas, finjo desprezo

Quando sou o sol, você é a lua
Quando caminho ao seu encontro
Você em sentido contrario, corre.

Se em um bom dia, um ou dois, se der conta
Deixará de ter importância
Um mal menor

E assim aflorará um bem maior
E a natureza do inverno passará a
ser eterna primavera no porvir...

Loui Jover

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Pobre Menino

Por  motivo de inexplicáveis  forças, a vida te jogou para um buraco negro
Onde muitas vezes, tudo lhe confunde e o cega com falsas ilusões
Bom que lhe parece os encantos da vida, porém suas escolhas
Reverte em mal, e só irá colher suas próprias desilusões e frustrações
Esta sua falta ddiscernimento  
Muitas vezes requer de você um custo alto da vida
Espirito carente e perdido.
Nessa vida, nem tudo é fácil, nada é de graça e tudo se paga
Infiel a seus próprios princípios éticos, morais e físicos 
Nem percebe,
O quanto a vida lhe privilegia, e se embriaga e entorpece, para sarar a dor, que dor... da falta que senti de si.


Loui Jover

domingo, 7 de setembro de 2014

A boneca

A recém nascida chora, e depois do primeiro banho, a neném recebe um grande presente, uma boneca de pano.
A pequena olha profundamente nos olhos de botão de sua nova guardiã e companheira.
Na troca de colo e carinho a bebê se torna menina.
A boneca ensina a menina a comer fruta do pé, andar descalça na terra, a subir em árvore, a brincar, plantar, colher...
A menina boneca se nina com cantigas antigas.
“Peraí, você tem que continuar a crescer!!”
A pequena se torna  jovem... e a boneca a ensina ter fé. Oração de fundo de gaveta velha, não tem como não dar pé.
De jovem se torna mulher.
E a boneca de pano já bem esgarçado, já não pode brincar. Então resolve continuar a ensinar...
Com lembranças  das brincadeiras, a jovem constrói a sua casinha de esperanças.
Agora o tecido da boneca não tem mais como remendar.
“Tá na hora de ensinar saudade”.
E com o álbum velho de foto a menina mulher guarda dentro de si a estopa da boneca.


*Homenagem a minha eterna boneca, vovó Cathy.

Iris Drawings

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Anjo Rafael

Um casal jovem cheios de sonhos resolvem constituir juntos uma família. O começo não foi fácil, mas batalharam  e se amaram...
Depois de alguns anos plantando de grão em grão seus anseios e determinações, recebem de Deus um dos seus presentes  sagrados... Uma filha. O amor e dedicação a essa criatura, fez com que Deus lhes dessem uma missão muito especial... De conceber juntos um anjo.
Essa missão não poderia ser dada a qualquer casal, tinha que ser um que tivesse muito amor, companheirismo e cumplicidade. Era uma grande missão.
Rafael nasceu parecendo ser igual as demais crianças de sua idade, e inconscientemente sua mãe já lhe deu o nome de anjo.
Rafael, chegou ao mundo cheio de luz, também não poderia ser diferente com o tamanho amor de seus por ele.
Aos poucos sua família atenciosa, percebe que o seu pequeno menino era especial. Que em sua costas, pequena, começavam a surgir sinais considerados por muitos anormais. Sua santa mãezinha, ao observar sinais tão estranhos, se assusta sem entender.
O menino começa a se transformar e depois de inúmeras corridas e salvamentos...
Os pais percebem sua tão difícil missão.
E depois de salvar, mudar, transformar e amadurecer a todos com seu encanto. Rafael no colo de seu pai acaba de se transformar em anjo. Sobe ao céu para continuar seu trabalho...

Seus pais preservam como ouro o amor incondicional ao filho, mas sempre veem as asas do seu anjo, entre as nuvens, os guardando.

Loui Jover